RE: O que é maior, um Metro ou um Destak?
Respondendo à tua pergunta de uma forma literal, XL, eu diria que depende. Em termos de dimensão a empresa, acho que o Metro é maior (embora não tenha a certeza). Em termos de número de páginas, o Destak é maior (pelo menos a edição de ontem tinha 20 páginas contra as apenas 16 do Metro). E em termos de antiguidade em Portugal também o Destak é "maior".
Mas ao contrário do que supões, conheço bem o Destak, porque ando com muita frequência de combio na linha de Cascais e depois ala para o metro (não o jornal, o transporte). Acontece que, nestes últimos dias, tenho-me divertido bastante a assistir à luta entre distibuidores de Destak's e de Metro's à entrada da CP de Algés. Cada um tenta pôr-se à frente do outro (portanto mais a montante do no fluxo das pessoas) para conseguir entregar o seu jornal, presumindo que quem já tem um não quer o outro. Mas o do Destak "puxa dos galões", gritando "Destak!" e como a antiguidade é um posto, vejo que as pessoas se esquivam ao Metro para encaminharem a sua mão receptora ao "velho amigo" Destak. De resto, a proporção de leitores Destak vs Metro dentro do comboio é esmagadora em favor do Destak (o que comprova a minha observação anterior).
E isto leva-me à segunda questão. É que as pessoas passaram a ler mais, graças a estas publicações (já explico porque é que falei originalmente do Metro se nunca tinha falado do Destak). Ao contrário da tua opinião — depreciativa — sobre as "notícias" ou sobre os respectivos fracos desenvolvimentos, eu acho que a ideia é muito boa. Os tópicos estão lá e não acho que seja preciso muito mais. Por um lado porque não conseguimos reter muito mais do que os tópicos e porque a verdadeira informação está nos tópicos: o resto é essencialmente palha. (Acho que já falámos sobre isto, de como eu acho que os noticiários na televisão deviam ter só dez ou quinze minutos e resumir-se aos títulos.) Por outro lado porque aquilo está feito para ser lido nos minutos entre Algés e o Cais do Sodré e é por isso que tem 16 páginas e não as 50 ou 60 que tem o Público (ou os outros).
Mas não são órgãos de informação perfeitos e partilho da tua opinião sobre a falta de cobertura/futilidade das "notícias". Mas esse é um problema dos media em geral e não do Metro e do Destak em particular. Como todos os outros, distorcem a importância relativa das notícias, estão submetidos à mesma "agenda editorial" que os outros estão e têm um monte de banalidades, porque isso "vende". E em relação à forma "agressiva" como são distribuídos, eu compreendo o que dizes e até concordo, mas experimenta sair do metro todos os dias no Saldanha e vais ver a quantidade de panfletos de cursos de inglês esteticistas oftalmologistas clubes de vídeo restaurantes com que ficas na mão. Até passas a achar os do Destak e do Metro uns tenrinhos (o que não os desculpa, nós é que ficamos mais "vacinados").
Finalmente, porque a arenga já vai longa, explico porque é que falei do Metro sem nunca ter falado do Destak. É que o Destak é um facto da vida, para mim. Existe há montes de tempo e é uma coisa boa que continue a existir (ainda que com as suas imperfeições). Mas o Metro já existia em muitas grandes cidades, é uma espécie de síbolo de cosmopolitismo e achei piada passar a haver em Lisboa. Pode querer dizer que nos estamos a livrar do nosso privincianismo (talvez esteja a ser optimista demais). Não ter Metro era mais ou menos como pretender que a uma cidade seja considerada "grande" mas sem ela ter metro (olha só o trocadilho do nome! não foi de propósito). Daí o meu título "Já estamos no mapa". Não foi para fazer notar o aparecimento de uma publicação diária gratuita, mas sim aquela publicação diária gratuita. (p.s. o Metro de hoje tem um anúncio à "Plateia" do IOL, com uma foto fantástica.)
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