quinta-feira, fevereiro 03, 2005

O Código

Leia-se «O Código de Da Vinci» de Dan Brown, o livro da moda.
Li as suas mais de 400 páginas em 3 ou 4 dias (não me lembro ao certo porque já foi há uns meses. Eu sou um leitor lento e para mim é um feito ler um livro de 400 páginas em menos de uma semana.

O enredo assemelha-se a um guião para um filme policial de série B. Baseia-se em factos duvidosos, mistérios, preconcepções e mitos, criados ao longo do tempo sobre as duas mais conhecidas sociedades secretas religiosas - Opus Dei e Maçonaria. Isto tudo muito romantizado e salpicado de uns pontinhos de suposições polémicas para aguçar o interesse do leitor.
Claro que para não matar o tal interesse, contando apenas um relambório de factos não provados, a estória avança com um caso de caça ao tesouro à mistura com um policial de assassínio em nome da religião.
Ou será ao contrário? Uma caça ao tesouro com as necessárias peripécias entre os bons e os maus e com uma mistura de mitos e suposições sobre sociedades religiosas secretas para aguçar o apetite para uma estória medíocre.

A escrita, básica e leve, está à medida do público-alvo de instrução média a baixa que o livro pretende atingir. Afinal é aqui que se vende mais, ora não fosse essa a faixa mais larga da população. Não acredito que o público mais letrado e instruído pegue muito neste tipo de livro.

O fenómeno só cá chegou a Portugal por meio da comunicação social, de uma maneira semelhante a outro fenómeno literário, o do Harry Potter. Mais uma campanha de marketing bem montada, suponho.

Costuma-se dizer que quando uma mentira é contada muitas vezes - principalmente se for bem contada - acaba tornando-se em verdade. Neste caso a mentira é que o livro é excelente!

Confesso que fui atrás do barulho, principalmente depois de uma amiga que tenho em boa conta me ter falado do livro. Acabei por comprá-lo para oferecer a um 'devorador de livros' que gosta de livros grandes e de conteúdo fácil com enredos policiais.
Ele leu-o em um dia.
Eu fiquei curioso.
Fiquei intrigado pelo interesse demonstrado e fiquei com a ideia de que talvez ficassem desvendados alguns mitos e mistérios sobre as tais sociedades secretas. Esta ideia ficou reforçada após a leitura do prefácio (pelo autor), onde ele diz ter baseado a escrita em factos verídicos.
Apesar de ter lido o trambolho em tempo recorde, dou por mal emprego o tempo despendido.
Não desvendei mistério nenhum, não aprendi ou fiquei a conhecer nada de novo. Não é que o livro não tenha pretensões de lançar algumas dúvidas sobre alguns assuntos polémicos - é nesse truque que se baseia e é aí que reside o seu sucesso - mas a forma como o faz revela uma falsidade latente.

Não gostei e desaconselho.

PS - Fui burro ao ficar intrigado pelo meu amigo ter lido isto em um dia. Afinal ele leu «As Vinhas da Ira» de Jonh Steinbeck em 2 dias!!!

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