terça-feira, novembro 08, 2005

Será o óbvio óbvio?

O metro estava avariado. A primeira evidência do facto foi a voz sintética da locutora a anunciar que "a circulação na linha azul encontra-se com perturbações". A segunda evidência foi ter visto um aglomerado anormalmente grande de gente à espera na gare, e ainda por cima, muitos voltavam já para trás, a indicar que a situação já se verificava à algum tempo. Para mais, aquilo era a linha amarela (Saldanha) e não a linha azul. Logo, as "perturbações" já tinham alastrado.
Voltei para trás, porque já estava mais ou menos em cima da "minha" hora. Foi nesse momento que verfiquei que havia filas imensas nos táxis e nos autocarros. O trânsito estava todo encravado - coisa não incomum, mesmo sem avarias no metro - o que dava ainda menos esperanças ao "plano B" quer do táxi, quer do autocarro.
Pensei o óbvio. Ou pelo menos, aquilo que eu na altura achei óbvio. "Vou andar três ou quatro quarteirões (cerca de 15 minutos) e apanho a linha verde em Arroios. O pior que pode acontecer é estar também encravado e se assim for logo penso nisso, não serei o único a chegar atrasado." Depois pensei que por ser óbvio toda a gente também já tinha pensado nisso e portanto a linha verde também estaria atulhada de gente, e por consequência também apresentaria "perturbações". Mas a quantidade de táxis livres que encontrei pelo caminho fez-me questionar a minha convicção. Se calhar o óbvio não é assim tão óbvio. Para muitos, o óbvio deve ser ficar à espera quando o metro avaria, ou ir para a paragem de autocarro que é ao lado. Para os mais abastados (ou mais perdulários? ou mais apressados?), o óbvio parece ser ir para o táxi quando o metro avaria, mesmo que haja uma fila de espera desanimadora.
O metro em Arroios estava quase vazio (o normal), chegou num ápice e consegui cumprir a "minha" hora nas calmas. Acho mesmo que vou deixar de apanhar o metro no Saldanha, que me obriga a fazer duas correspondências para chegar ao Cais do Sodré.

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