domingo, novembro 13, 2005

28-olas

Há uns tempos comprei uma 50-olas (lê-se "cinquentolas"), em parte porque era demasiado barata para não ter, em parte porque a luminosidade extra dessa objectiva (em relação à outra que tenho, um zoom) iria permitir-me sacar uns retratos com pouca luz, que é uma coisa que faço muito. Mas uma 50 num corpo digital em que o sensor tem metade do tamanho de uma "chapa analógica" resulta num campo de visão muito fechado — aproximadamente o que teria uma 75mm em "analógico" — que dá para retratos, mas não é versátil o suficiente para muito mais. Ainda andei uns tempos com essa lente atarrachada na máquina, com o entusiasmo, mas a verdade é que ela acabou por ser preterida em favor do zoom do costume, menos luminoso mas muito mais "generalista". É no entanto uma boa lente e estou contente com ela. Quando ando com mais material às costas do que só o básico (corpo + uma lente), ela tem um lugarzinho reservado no saco.

Posto isto, continuei a alimentar a ideia de ter uma lente fixa mais generalista, que fosse mais leve e pequena do que o zoom, para ser menos incómodo andar com ela às costas diariamente. A 28 2.8 da Nikon era a escolha ideal. Não muito cara e razoavelmente luminosa, com um tamanho e peso semelhantes à 50-olas, tinha tudo para ser aquela "companheira" do dia-a-dia, que não nos deixa ficar mal em caso de necessidade. Antes de avançar com a compra, tive a sorte de ter um amigo que tem uma (e que a usa pouco). Abusei da sua boa vontade e pedi-lha emprestada por uns tempos. A minha ideia era, por um lado, testar a sua qualidade, por outro, sentir se tinha ali uma coisa que desse para usar no dia-a-dia em substituição da versatilidade do zoom.

Estou muito contente no capítulo da versatilidade, mas não foi preciso muito tempo para perceber que é uma objectiva muito fraca. É mais uma daquelas em que nos questionamos porque é que a Nikon as faz (a outra é a 70-300, sobre a qual já aqui escrevi em tempos). Não fiz testes exaustivos (nem nada que se pareça) e nem sequer a tenho comigo há muito tempo (uns quatro dias, talvez). E no entanto, já foi o suficiente para perceber que faz "flare" por tudo e por nada (e ainda por cima eu sou especialmente amigo dos contraluzes...) e que tem um significativo decaimento de luz (?) aos cantos quando na abertura máxima. Se é assim com "crop factor", imagino como será com filme. Também não parece famosa quanto ao recorte, mas em relação a este ponto ainda não tenho conclusões muito firmes, porque fiz quase sempre fotos com obturações relativamente lentas.

Por descargo de consciência, fui ver o que este senhor tem a dizer sobre a objectiva em questão. Confirma-se: nota 2 em 5.

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