A profundidade de campo e os bloqueios mentais
Esté um excerto de uma discussão sobre o futuro das câmaras digitais. O autor defende que os sensores vão ser cada vez menores. O seu interlocutor responde-lhe que isso è improvável (entre outras razões) porque os sensores muito pequenos fazem com que a imagem tenha demasiada profundidade de campo.
I have to smile, though, about the contention that too much DOF is a bad thing. (...) But it's just a property. All properties in pictures are not requirements, not fulfillments of any static need, but simply accidents of technology. One could even argue that black-and-white is just a property, a result of photography's early difficulties with recording color!
(...)
So now, even though they may certainly be sincere case-by-case, the general complaint against smaller sensors paired with shorter lenses as having "too much" depth of field certainly resonates with disingenuousness. As I say, it's just a property. "Seeing" with selective focus as we do now is simply a pictorial convention. If the tools change, artists will adapt.
Inicialmente não liguei muito a esta discussão. Pareceu-me óbvia a força do argumento do excesso de profundidade de campo. Aliás, foi uma das coisas que redescobri com gosto quando passei da "digicam" para a "DSLR". Mas depois este argumento - ou melhor a resposta, esta resposta que está aqui parcialmente citada - começou a crescer dentro da minha cabeça. É que este argumento é exactamente aquilo a que eu costumo chamar um bloqueio mental.
Vou dar um exemplo. Os livros em papel têm os dias contados. Quando digo isto a alguém, tenho logo a resposta: "nunca! folhear um livro em papel é insubstituível. não há comparação possível entre ler um "livro" e ler no computador!!" e sou olhado com um misto de incompreensão e simpatia condescendente. Eu acho que esta atitude é apenas o resultado de um bloqueio mental em relação ao papel. As pessoas estão de tal forma empenhadas com um determinado sistema (neste caso, um livro em papel) que nem concebem que ele possa ser diferente (neste caso, um eBook, por exemplo).
A segunda coisa que eu achei interessante nesta passagem do artigo é a última frase: se as ferramentas mudam, os artistas vão adaptar-se. É exactamente o que eu acho e o que eu tento pôr em prática. A minha abordagem é "o que consigo fazer de interessante com as ferramentas que tenho?", em vez de ser ao contrário (e igualmente defensável, note-se) "de que ferramentas preciso para fazer o que quero?".
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