On eBooks
Eh, eh! Consegui produzir o "efeito eBook"!
A mim não me parece assim tão diferente ver a leitura do meu livro ser interrompida contra a minha vontade (i) porque alguém tocou à campainha ou (ii) porque ele crashou assim sem mais nem menos. Shit happens all the time! Há questões tecnológicas por resolver? Claro que há. A meu ver, o eBook está posicionado na transição para o livro do futuro (não sei como lhe chame - etherBook? bem, se a Microsoft continuar a dominar o mercado talvez se chame xBook!) como o papiro esteve na transição da pedra rosa com escrita cuneiforme para o papel (será que esteve? até parece que percebo alguma coisa do assunto - era só uma metáfora!). De qualquer forma, os eBooks actuais já são muito mais "estáveis" do que parece ser a tua ideia. Tens que deixar o Windows 95, AKB! O meu "eBook reader" (o PC) não crasha há mais de três anos!
Não é muito prático ter que andar com um computador atrás só para poder ler um livro, é verdade. (É ainda menos prático do que ter que andar com um livro atrás só para poder ler um livro!) Mas repara: também não é nada prático precisar de uma biblioteca inteira para guardar apenas uns milhares de livros — coisa simples que caberá num cartão de memória do tamanho de uma unha (não será menor por questões práticas, digo eu) e que já com a tecnologia do hoje deve caber num pacotinho de DVD's que se compra por seis euros ali na loja da esquina.
Estou a agora a lembrar-me de outra "chatice" ligada com a porra da tecnologia, que nós já assimilámos na totalidade (que remédio). É a passagem do VHS para DVD. Quando quisermos mostrar o nosso filme preferido, que temos em VHS, ao nosso filho: «isso será possível ou já teremos que comprar uma nova versão porque o sistema operativo é arcaico ou a máquina já não “lê” este tipo de ficheiros ou até porque se fragilizou um pingo de solda nos circuitos?»
Curiosamente, uma das minhas maiores reservas em relação ao eBook/etherBook/xBook é justamente o argumento ecológico. Há quem defenda que "até seria bom para as florestas". Para mim não é evidente que produzir um pedaço de equipamento (o leitor de livros) seja mais ecológico que produzir e imprimir um maço de folhas. É que as árvores plantam-se, basta haver um planeamento como deve ser e a coisa será sustentável.
Só para acabar, que o texto já vai longo, um episódio cómico-irónico. Há tempos andei a ler o Drácula (em versão livro - surripiei-o das estantes do meu pai). A páginas duzentas e tal, o pânico instalou-se: "esteve um hacker a janar este livro", pensei. Ao longo de um capítulo e meio, as páginas pares não estavam lá, só as ímpares. A princípio tentei extrapolar o que tinha acontecido nas páginas omissas a partir das que lia, mas o resultado foi merdoso. Depois pensei "eu tenho isto em eBook". Fui ao computas, imprimi esses capítulos e li-os. O eBook "salvou-me". "Ahá! Imprimiste!", vais dizer. Pois foi. Eu não disse que eu não tinha também o bloqueio mental do eBook. Ainda o tenho pelo menos parcialmente. Além disso o meu leitor de eBooks não anda comigo no comboio, porque não é meu. Fica a dormir no escritório. (Se preferires, podes pensar que o meu leitor de eBooks é o papel. Já não tenho as páginas que imprimi, já foram ser transformadas em folhas novas, mas continuo a ter o eBook.)
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