Ai, Teco! - Blending
E aqui está o prometido post sobre blending. Para os mais distrídos - mas sem querer maçar os menos distraídos - blending é misturar. Aplicado ao contexto da fotografia digital, o termo significa que se pega em duas fotos e se misturam partes de uma com partes de outra. É usado para compensar a fraca gama dinâmica que os sensores têm, quando comparados com a "velhinha" película fotográfica. (Pois, pois... Nem tudo são rosas, na fotografia digital!) Tipicamente o que se faz é sacar duas fotos exactamente sob o mesmo ponto de vista, mas com exposições diferentes: uma calculada para as zonas mais iluminadas e outra calculada para as sombras. Depois, com a ajuda do photoshop allmighty, usam-se as "partes boas" de ambas para gerar uma única imagem ondes as zonas de luz e sombra estão... blended!
Como se depreende desta sumária explicação, o uso de um tripé é indispensável, para que as fotos sejam tão exactamente iguais - exposição à parte - que sejam sobreponíveis. Isto é de tal forma crítico, que o "cânone" até prescreve que as duas fotos que vão ser usadas devem ter o mesmo valor de diafragma, para que a profundidade de campo seja a mesma, fazendo variar a exposição apenas através da velocidade. (Também não é dífícil depreender que esta técnica vai encontrar fortes limitações para temas não absolutamente estáticos...) Só para completar o apontamento técnico, cabe dizer que não se deve "abusar" deste efeito, porque um blending exagerado resulta numa imagem "artificial", portanto "pior" do que qualquer uma das que lhe deu origem, que é exactamente o oposto do que se pretendia.
Chega de tanga, agora é que vem a cena a sério. Aqui está a minha primeira experiência de blending e, como prometido, é "à la onitsuaf", ou seja, adeus "cânone". Para começar, não foi usado tripé. Quem me conhece, sabe que amanhã não será a véspera do dia em que vou começar a andar de tripé às costas (sem ofensa para quem usa tripé - é uma questão de opções pessoais). Depois, porque as fotos foram feitas com uma compacta "de amador pouco exigente", as diferenças entre as exposições foram conseguidas apontando a máquina para diferentes pontos da cena e assim obter leituras "enviesadas" no sentido pretendido. (Também o podia fazer indo aos menus da máquina alterar a exposure compensation, mas isso dava montes de mais trabalho e a preguiça é a minha maior virtude.)
A consequência óbvia é que só por um grande bambúrrio do destino é que as duas fotos (a "escura" e a "clara") vão ficar exactamente com o mesmo ponto de vista. Mas não faz mal, porque eu também não as quero sobrepor no photoshop. Eu só preciso que as partes que vou "misturar" tenham a mesma ampliação e rotação, para as poder clonar de um lado para o outro, e isso pode ser conseguido com uma manipulação simples no photoshop, se necessário. Neste caso tive sorte e não foi preciso nada. A foto "escura" e a foto "clara" têm quase exactamente o mesmo ponto de vista e por isso não tive que dar nenhum passo preparatório. E pronto. Aqui vai o resultado, acompanhado da foto "escura" e da foto "clara".
Guimarães, Agosto 2004. Este é o resultado final.
Esta é a foto "escura".
Esta é a foto "clara".
Convido-vos a tentar perceber que partes de que foto estão a ser usadas no resultado final (não é difícil).
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