sexta-feira, agosto 26, 2005

Aves em Portugal

O grupo
Um dos grupos a que pertenço no flickr (e que aliás foi o catalisador para que eu passasse a usá-lo para alojar as minhas imagens) é o Aves em Portugal. Foi criado por algumas pessoas da SPEA e tem fotos fantásticas.

As fotos
Para ilustrar o que estou a dizer sobre a qualidade das fotos, junto aqui alguns exemplares feitos pelo Faísca, um dos "mentores" do grupo (e que me deu autorização para as "publicar" aqui). Para quem gosta da passarada, como é o meu caso, vale a pena ir dando uma olhada. O grupo tem-se mantido muito activo, pelo que é quase certo que a cada nova visita há mais qualquer coisa para ver.

Foto by Faísca
Fuínha-dos-juncos (Cisticola juncidis). Esta ave é minúscula, bem menor que um pardal.

Foto by Faísca
Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo).

Eu também vou participando no grupo, dentro das possibilidades do meu equipamento actual (que não são muitas). Vou enviando uns pardais ou uns pombos, bicharada que dá para "apanhar" sem ter grandes distâncias focais.

O material
Já aqui em tempos se falou do equipamento necessário para fotografar a passarada. Voltemos ao tema. A abordagem acessível à maioria - é a que eu uso - consiste numa objectiva banal (uma 50mm serve perfeitamente) e numas migalhas de pão. Funciona lindamente com os pardais e outras criaturas descaradas que só falta virem tirar-nos a comida da mão (às vezes vêm mesmo). Esta abordagem é um bocado limitativa, porque há apenas um certo número de fotos de pardais que um tipo consegue fazer antes de morrer de tédio.

Depois há as abordagens mais a sério, e elas são três. A "clássica" consiste em ter uma objectiva de grande distância focal. Como é evidente, esta opção é cara, com um preço que varia exponencialmente com a qualidade e "comprimento" da objectiva em causa. Com teleobjectivas "budget" os resultados não são brilhantes (como eu já aqui o demonstrei). Para ter uma das boas, é preciso estar disposto a "abrir os cordões à bolsa" e comprar um pedaço de equipamento que provavelmente não vai servir para mais nada. (Eu pelo menos não andaria aí a passear pela rua com uma 400mm ou uma 500mm ao pescoço...) A possibilidade de usar um anel duplicador com uma teleobjectiva não-muito-longa também só produz resultados bons com uma objectiva cara, o que vai dar ao mesmo.

A segunda opção, a mais "avançada", consiste em acoplar uma máquina reflex (tipicamente digital, mas não necessariamente, acho eu) a um telescópio. As marcas de telescópios "a sério" fabricam este tipo de acessórios. As fotos do Faísca têm este "segredo" por trás delas:

Foto by Faísca - sistema com Canon 350D

Uma Canon 350D com cabo disparador acoplada a um telescópio Zeiss do melhor que por aí anda.

A terceira via, uma que se tem tornado muito popular ultimamente, é o "digiscoping". Consiste em acoplar uma digicam (das pequeninas) a um telescópio. Era assim que o Faísca fazia antes de ter a Canon 350D.

Foto by Faísca - sistema com Coolpix

O mesmo telescópio Zeiss-do-melhor, com uma Nikon Coolpix acoplada.

Os primeiros "sistemas" deste tipo de que tive conhecimento, eram altamente artesanais, fabricados pelo próprio utilizador de acordo com as suas habilidades. Podiam ir desde o simples encostar da máquina fotográfica à ocular do telescópio, até à criação de suportes para a atarrachar ao telescópio junto com o tripé e à criação de mecanismos do tipo "cabo disparador". Hoje, as marcas "a sério" fornecem "kits" de "digiscoping" para os seus telescópios e/ou máquinas (como é o caso do aparato da Zeiss que está aí acima na imagem). Esta opção tem-se tornado muito popular porque um observador de aves minimamente dedicado tem (ou quer ter, como é o meu caso) um telescópio e o investimento adicional numa digicam das pequeninas é relativamente baixo.

A contribuir para os bons resultados obtidos pelos métodos usando telescópios, está o facto de as grandes distâncias focais assim obtidas permitirem estar muito longe da ave. Desse modo, é possível observá-la e fotografá-la sem a perturbar, conseguindo-se imagens muito interessantes e "naturais". (A digicam tem que ser "das pequeninas" porque o telescópio só lhe permite "ver" um "círculo de luz" pequeno. Por isso não pode ser daquelas mais avançadas, que têm um sensor maior, o que até joga em favor do factor económico destes sistemas.)

P.S.: Para todos os efeitos, o termo "digiscoping" também é aplicável ao telescópio acoplado à DSLR. Na minha opinião, isto é tão discutível quanto considerar que uma DSLR é uma "digicam".

P.S. 2: Breaking news! Pelos vistos também já foi inventado o "phonescoping", que é usar a câmara fotográfica embutida no telemóvel para fotografar através do telescópio. Já há bastante tempo que eu achava que isto devia resultar, mas como não tenho nem telescópio nem câmara fotográfica no telemóvel, ainda vivia na ignorância.

P.S. 3: Aparentemente também é considerado "digiscoping" usar a digicam acoplada a uns binóculos. Tenho que experimentar. Por um lado é mais difícil manter o sistema fisicamente estável devido à ausência de adaptadores (talvez tente fabricar um). Mas por outro lado, deve ser mais fácil de fotografar, porque o círculo de luz dos binóculos ("exit pupil") é tipicamente maior do que o de um telescópio e a ampliação é menor, pelo que os problemas de "camera shake" devem ser igualmente menores. No entanto, devido também à menor ampliação, é preciso chegar mais perto, e arrisco-me a pôr a passarada toda a voar antes de conseguir "dar ao gatilho". Hum... Se calhar não vale o esforço...

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