Coitadinha da Kate Winslet!
Parece que a Kate Winslet anda chateada com as maldades que lhe fazem no Photoshop. Maldades não será bem o termo. Mais se podia dizer, aliás, bondades, uma vez que ela se queixa de lhe manipularem as imagens no sentido de a tornarem mais "apetitosa" (pelo menos segundo algum critério). Descobri esta discussão altamente interessante <risos> graças a este artigo e se estou a falar nele aqui neste blog é porque afinal a "fofoca" apenas fornece o pretexto para uns bitaites e referências sobre a ética das manipulações fotográficas (que são bem mais antigas que o Photoshop, naturalmente).
(Agora que falo nisto, estou a lembrar-me que já li qualquer coisa do "tio Reichmann" sobre manipulação que na altura achei interessante, vou ver se encontro. Confesso que nunca pensei muito nisto, para além destas reflexões, poucas, que já li. Aqui está; só reli na diagonal, mas acho que é isto.)
No fundo, parece-me tudo um grande preconceito em relação ao digital (o "novo" causa estas reacções). De repente escurecer o céu e clarear as caras passou a ser uma manipulação não ética, que os "fotógrafos digitais" sérios devem repudiar. Claro que adelgaçar as pernas da Kate Winslet não é comparável a escurecer o fundo (ou a tirar-lhe uma borbulha da testa, coisa que seria desnecessária porque existe a maquilhagem, essa forma de manipulação que não viola a ética em vigor) mas o (meu) bom senso diz que as coisas não devem ser confundidas e sobretudo que o "digital" não é para aqui chamado. Manipulações sempre houve e pode-se sempre enviesar a mensagem mesmo sem alterar o que está na fotografia. Aliás, no que toca a ética jornalística, a fotografia é só um aspecto da coisa, mais "mensurável", digamos. Como controlar a "veracidade" do texto produzido pelo enviado especial?
É uma questão de credibilidade, e essa constrói-se. A fotografia digital fornece meios mais acessíveis de alterar o conteúdo das fotografias. No limite, pode-se "fabricar" uma fotografia totalmente nova a partir de determinado material. Mas os textos são sempre (e foram sempre) "fabricados" a partir de determinado material e nós, consumidores de jornalismo, aceitamo-los ou não em função da credibilidade que atribuímos aos seus autores. Não me parece que seja diferente com as fotografias.

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