terça-feira, março 29, 2005

pague 1, leve 30000 (ainda os elivros)

é esta a principal vantagem? tens uma biblioteca empacotada do tamanho duma unha... uma coisa é certa: é bem mais fácil de esconder!

espero é que não tenhas que ir até à biblioteca nacional, ou ao alfarrabista, quando te surgir a dúvida, ou a evidência, de que os hackers estiveram a janar o teu elivro.

(isto faz-me lembrar aquele livro do Saramago, História do Cerco de Lisboa, no qual um revisor altera um livro de história, introduzindo um “não” adicional que não estava lá antes.)

mas... espera lá! para que raio é que eu quero 30000 livros? nem que tivesse todo o tempo livre do mundo (suspiro...) conseguiria ler tal quantidade. aliás, nem sequer estou interessado numa empreitada dessas. é para quê, então? para saber que, se algum dia, por capricho, demência ou senilidade, quiser ler o Código Da Vinci, o tenho ali, ao alcance da minha unha? não seria francamente melhor levantar a peida e ir à rua apanhar um pouco de ar, esticar as pernas e ir curtir uma livraria? bem, se estiveres em Moimenta da Serra não há livrarias... mas sempre há a serra.

isto leva-me a outra “chatice” das novas tecnologias. não é uma chatice, é uma mania, uma obsessão doentia. é a mania do “mais”.

pa quê ter a casa cheia de livros que só ocupam espaço (onde se poderia pôr imensos bibelôs) e ainda criam pó e bichos quando podes ter uma biblioteca inteirinha do tamanho da tua unha? hem? além de que o teu leitor de elivros permite-te ir à internet, enviar mails, escrever no teu diário, ver fotos e filmes e ouvir música e ainda, talvez, ler um livro?

ou porque é que hás-de demorar um minuto a tirar uma foto ao teu gato, enquadrar, medir a luz, etc., e depois ainda revelar película (quando acabar o rolo) e ampliar a foto, quando podes bater dez fotos num mesmo minuto com a tua máquina digital e voilá! depois é só escolher a melhor e trabalhá-la um pouquinho no photoshop pa ficar mesmo mesmo à maneira, ainda hoje?

pode-se argumentar que é esta ambição de ter mais (mais quantidade, mais rápido) que faz progredir (?) a humanidade. eu também quero, no meu trabalho, fazer sempre mais e melhor. só que isso cansa um gajo... eu, quando chego a casa, não quero mais, quero menos. não quero depressa, quero devagar.

p.s.: como é que se viram as páginas nos elivros? fazemos um simples scroll down para continuar a leitura ou carregamos no enter e, sensaboronas como são a maioria das máquinas digitais, reproduzem o som de virar uma página de papel (como algumas máquinas fotográficas digitais reproduzem o som de bater uma chapa das outras máquinas)?

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