terça-feira, março 29, 2005

eLivros+

1. Sobre ter 30000 livros, o tempo para os ler e a vontade de o fazer
Ter mais possibilidades é um bem e não um mal. Se a minha biblioteca se limitar aos livros que eu de facto tenciono ler, então não me falta nada. Mas se a minha biblioteca tiver muito mais do que os livros que eu alguma vez poderei ler, tenho mais por onde escolher. Isto não é um mal, é um bem.

2. Os hackers e os ácaros
Lembro-me de há uns anos ter sido lançado um alerta porque uma parte (significativa?) dos documentos guardados na Torre do Tombo estarem em vias de se perder para sempre, por causa de um surto de um tal de insecto que tem o hábito desagradável de se alimentar de papel. Parece que os hackers já exercem as suas actividades perversas há mais tempo do que a fama que têm.

3. A mania do "mais"
Concordo quase na totalidade contigo. A mania do "mais" é uma espécie de cegueira digital. Queremos sempre ter "mais", mesmo que seja para usar "o mesmo" (estou a pensar por exemplo nos telemóveis). Computadores mais rápidos, com mais disco, mais memória, mas entradas e saídas (e mais rápidas). A maior parte das vezes é o "mais" pelo "mais". Tenho reparado num "mais" digital que me anda a chatear cada vez mais. Ter "mais" gigabytes de filmes (e de MP3). Eu digo que estive a ver o filme tal e curti bués. O meu interlocutor responde que "tem lá" esse filme, que já "o sacou". Viu-o? Irrelevante. Tem-no. É quanto basta.Mas há um "mais" que eu quero quando chego a casa. É o mais fácil. E eu acho que é mais fácil tirar uma fotografia digital do que uma fotografia com filme. (Repara que eu não digo que é "melhor", assim como não o digo em relação aos eLivros, contra os livros.) Assim como é mais fácil ouvir um CD do que LP ou uma cassette. A mania do "mais", como tudo na vida, tem os seus méritos e deméritos. Cabe a nós, pessoas, aproveitar os bens e defender-mo-nos dos males. Mas não culpemos a tecnologia.

4. Outra vez os bloqueios mentais
Eu tenho-o (em relação aos livros), mas reconheço-o. As pessoas que têm a máquina digital com o som de "bater uma chapa" têm-no, mas talvez não o reconheçam. (Aliás, se pensares, o som de "bater uma chapa" é uma total perversão. A máquina fotográfica original era um caixote com um furo, que não só não produzia esse som, como nem sequer tinha obturador mecânico. O fotógrafo destapava o furinho durante o tempo que o seu mester lhe ditava e depois voltava a tapá-lo!) Eu usei a alegoria dos eLivros para ilustrar a minha teoria dos bloqueios mentais precisamente por isto: Ela desperta reacções apaixonadas, porque um dos bloqueios mentais mais enraizados em nós é precisamente esse de que os livros tal como os conhecemos hoje são algo de eterno. Não são. Eu amo os livros, tenho a casa cheia deles e não imagino a vida sem eles. Mas sei que as letrinhas escritas numas folhas de papel, encadernadas de forma sequencial e que dá para folhear são uma forma de livro. Outra forma de livro pode ser um montão de bytes gravados num suporte electrónico qualquer e que podem ser transformados em letras palavras frases inteligíveis pelo olho humano atraves de um aparelho que hoje ainda é um bicho esquisito e pouco (con)fiável mas que um dia será banal (como é banal o relógio de pulso, mas andar com uma ampulheta pendurada da mão era ridículo e impraticável).

p.s. como é que pesquisas a ocorrência de determinada palavra ou expressão num conjunto de livros?

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